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Por que algumas empresas perdem os melhores talentos? No mundo atual, a complexidade dos paradigmas efetuados causa impacto indireto na reavaliação das condições financeiras exigidas. Hoje, já podemos já vislumbrar o modo pelo qual o entendimento da realidade administrativa afeta positivamente os níveis de motivação departamental.

Pensando mais a longo prazo, o julgamento imparcial das eventualidades representa uma abertura para a melhoria dos índices pretendidos. Não obstante, a consolidação das estruturas estende o alcance e a importância do retorno esperado. Portanto, o aumento do diálogo entre os diferentes setores produtivos irá ressaltar a relatividade da gestão inovadora da qual fazemos parte.

Não entendeu uma palavra do que foi dito? Ainda bem! O texto acima foi produzido por um gerador de textos aleatórios. Mas tenho certeza que não parece muito diferente de algo que você já ouviu na faculdade ou no escritório da sua empresa.

Esses são os famosos bullshitters: enganadores profissionais que enrolam de todas as formas e usam seu poder de persuasão para te convencer de qualquer coisa.

Agora, se você concordou com o que foi dito, precisa seriamente assistir ao último episódio da Centrífuga!

Centrífuga Debate - Bullshit ! também está disponivel em podcast:

"Nós vivemos uma era muito legal! Imagine, 10 anos atrás nada disso existia: redes sociais, smartphones, likes, Youtube, etc. Como isso mudou nossa forma de viver? Pense, tem gente que não tem apenas um smartphone: tem dois!"

Esse é Rafael Rez, um ultraespecialista em marketing digital e de conteúdo, professor de MBA, autor e palestrante, que está na Centrífuga Convida desta semana.

Ó, seguinte: essa Centrífuga é pra todo mundo que tem presença nas redes. Ou seja, V também!

Assiste, deixa seu comentário e feedback pra nós!

A 'Centrífuga Convida - Rafael Rez' também está em formato podcast:

Civilizados e urbanos, somos mais felizes que nossos ancestrais selvagens. Eles dormiam na pedra fria, dentro de cavernas e buracos - nós, em camas fofas, dentro de casas e apartamentos. Eles tomavam banho com água corrente e gelada - quando tomavam. Nós, com água encanada e quente. Pagamos um pedágio barato para sermos felizes: só tivemos que abrir mão do contato com a terra bruta e de contexto vivo diferente do nosso, para ganharmos as camas e banhos quentes. Sogras e coachs são efeitos colaterais.

Bom por um lado - as camas são confortáveis e já não temos o risco de um predador esfomeado nos engolir enquanto tomamos banho - e péssimo por outro visto que não tivemos tempo suficiente para aprender uma lição. Sem esta lição, ainda somos presa fácil de um predador sofisticado.

Lição abundante na natureza, aliás. E simples.

Percevejos

Formigas não gostam muito da ideia mas elas são o prato principal no cardápio do 'Acanthaspis Petax', uma espécie de percevejo - inseto carnívoro, parente daquele outro que perambula em algumas camas. As formigas, sempre em maior número, cortariam o percevejo faminto em pedaços, caso um atrevido fizesse do formigueiro a sua praça de alimentação. Só que…

O esperto moço se disfarça com cadáveres. Primeiro, caça algumas formigas e gruda as carcaças no seu corpo, formando uma capa de formigas mortas. Depois, disfarçado e protegido, invade o formigueiro e se empanturra sem sofrer qualquer golpe defensivo. As formigas, que se guiam por feromônio, não 'cheiram' a presença do esfomeado percevejo.

Um primor de estratégia, não é? É a estratégia do engano: as formigas pensam que ele é outra… formiga! Carregando sua armadura de cadáveres o percevejo exala o cheiro que confunde as formigas trouxas. Elas não vêem a diferença e abaixam as defesas. O embusteiro está com disfarce troiano!

Formigas

Não somos formigas mas temos alguns paralelos com elas que são interessantes para lembrar na próxima boa conversa com amigos. Elas são sociais - nós também. Elas vivem em grandes comunidades - e nós em São Paulo, Nova York e Tokio. Elas distribuem tarefas, não fazem greves, não tem coachs e nem sogras - bem, parece que ainda temos problemas neste ponto...

As formigas são o prato principal no cardápio do almoço do percevejo embusteiro - e nós, felizes e sem saber, também somos servidos como prato principal em alguns banquetes sofisticados.

Ó, sois formigas trouxas - e um percevejo quer almoçar vocês.

Ó, sois formigas trouxas - e o percevejo esfomeado distribui conteúdo da hashtag ACME com a mão direita sem mostrar que a mão esquerda recebe moedas ACME.

Ó, sois formigas trouxas - e o percevejo digital produz selfies de bom moço (existem percevejos fêmeas também) colando no seu corpo pedaços de outras formigas. Com a mesma roupa que elas usam e falando que tem os mesmos desafios da vida das formigas, entra no formigueiro das redes sociais com um disfarce troiano. Lá, encanta legião de formigas com hashtag ACME como se fosse apenas uma formiga deslumbrada como outra qualquer falando de coisas bacanas.

Ó, sois formigas trouxas - e o percevejo esfomeado e digital vai continuar feliz na sua importunada missão, escurecendo suas motivações para se esgueirar para dentro do formigueiro e se empanturrar, até que…

Até que algumas formigas atentas sentem o cheiro do embusteiro - e dão o alerta! Ao percevejo acuado resta desconversar e mais que rapidamente incluir o honesto #disclaimer que antes era a inconveniência que denunciaria o disfarce troiano. Num salamaleque digital, aparece o que antes não aparecia - a nota de rodapé explicando que a marca ACME ofereceu as bem-vindas moedas ACME.

Pilares

Estamos construindo um futuro digital prenhe de possibilidades. Viveremos cem anos nos próximos dez e é impossível imaginar o inventário de coisas fantásticas - talvez outras nem tanto - que criaremos enquanto fazemos apostas imensas buscando a prosperidade em grande escala. Contudo…

Os pilares básicos da prosperidade, a confiança e sua irmã siamesa, a transparência, são erodidos quando os sistemas éticos que os abrigam sofrem ataques dissimulados como 'avanços necessários'. É do relacionamento profundo dos sistemas éticos com o comportamento humano que emergem as comunidades morais e qualquer comunidade moral, seja física ou digital, favorece um grau de sociabilidade espontânea entre seus integrantes. Na cadeia das relações produtivas que avança até desaguar na riqueza, a sociabilidade espontânea é um elo necessário e central - antes de qualquer sociedade criar riqueza, seus integrantes precisam trabalhar juntos e como prosseguir juntos se não for confiando uns nos outros, sendo os outros em boa parte desconhecidos e fora do círculo de relações sociais imediatas? A eficiência econômica e a riqueza, e a prosperidade que delas resultam, portanto, são produtos finais da confiança e transparência. Toda a sociedade que sofreu retrocessos irreparáveis a ponto de comprometer sua eficiência econômica - sem exceção - permitiu, deliberada ou desavisadamente, a erosão dos pilares siameses, confiança e transparência.

Sob que condições Você faria negócios com alguém que não ilumina suas verdadeiras motivações? Faria negócios com alguém que é capaz de vender a confiança que recebe na mão direita - através da inocente hashtag ACME colada em seu depoimento - e esconde a mão esquerda que recebe moedas ACME? Neste caso, Você está lidando com um influenciador que, no contexto e no discurso, produz informação crível que endossa marcas enquanto ilumina as motivações que o energizam a favor das patrocinadoras ou está lidando com um percevejo digital esfomeado? O sistema ético que está suportado pelos pilares básicos da prosperidade sofre abalos irreparáveis apenas quando a confiança e transparência são golpeadas por forças titânicas ou a erosão lenta e continuada de milhares de percevejos produz os mesmos danos irreparáveis?

36 CDC

Ainda há um efeito colateral e efeitos colaterais são, quase sempre, ruins. Os que estão empenhados em construir influência digital transparente, com informação completa e sem disfarces troianos, vez por outra ouvem, das formigas trouxas, que vamos reinventar o marketing, que vamos nos adaptar à força, que o jogo mudou e que o CTA do formigueiro subiu para o primeiro plano - enquanto a transparência escorrega para o segundo.

Ou que nossas normas recolhidas e escritas no código das leis mofaram e que o albergue da confiança nas relações de consumo - erguido pelo legislador com a linha única do artigo 36, do Código de Defesa do Consumidor - não é mais habitável.

Mas foi o legislador que percebeu as consequências indesejáveis quando a tríade tecnologia, conteúdo e dinheiro se combina com intenções troianas. Foi o legislador quem primeiro entendeu que a relação de consumo não é apenas contratual e que esta relação já se manifesta quando ainda estão em ação técnicas de estimulação e quando, de fato, sequer se pode falar em verdadeiro consumo - somente em expectativa de consumo. A proteção ao consumidor - que deve ser instilada na cadeia da prosperidade -, portanto, precisa ter início em momento anterior ao da realização do contrato de consumo e num só traço sem ambiguidades, o legislador construiu um albergue sólido para a confiança:

A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.

Embuste

As formigas trouxas, felizes à mesa do almoço sem saber que são o prato principal, aplaudem efusivamente os salamaleques do percevejo esfomeado, apontando suas defesas contra seus pares e contra o legislador. Curtem e compartilham a hashtag ACME e assim participam do embuste.

O embuste. Não vimos nosso direito de habitar no Paraíso sequestrado por um embuste? Não sabemos que nosso direito à confiança e à informação - os pilares profundos da criação de riqueza e prosperidade - é sequestrado toda vez que a informação crível e desinteressada é substituída por salamaleques do percevejo digital disfarçado com uma capa troiana?

Ó, formigas trouxas que não dormem mais na pedra fria: há percevejos em suas camas.

Existe uma pessoa a quem V deve agradecer por ter um smartphone hoje: Steve Jobs. Não fosse ele e provavelmente o uso dos aparelhos teria sido atrasado em anos.

Jobs era genial no design de novos produtos. E também tinha o talento de conectar-se aos early adopters que, no fim do dia, são os que difundem os produtos da empresa. Jobs foi uma das pessoas que chamamos de iconoclastas.

Nenhuma organização pode sobreviver sem eles. São inovadores que, sozinhos, reorientam a sabedoria convencional e conseguem alcançar o que muitos consideram impossível. Iconoclastas de sucesso conseguem polinizar o ambiente ao seu redor, contagiando os futuros multiplicadores de suas ideias.

Embora indispensáveis, os iconoclastas são poucos e raros de se detectar. A explicação é que o cérebro humano impede o pensamento inovador através de fatores como medo do fracasso, desejo de se conformar e tendência de interpretar a informação sensorial de maneira familiar.

No livro "Iconoclasta", o neurocientista Gregory Berns analisa relatos de inovadores bem sucedidos e mostra o que existe além do batido segredo do sucesso.

Debatemos o livro na Centrífuga Clube do Livro. A conversa está cheia de insights!

A 'Centrífuga Clube do Livro - O Iconoclasta' também está no formato podcast:

Kim Jong-Un é um dos líderes mais efetivos e brilhantes das últimas décadas. Ok, vou perder algumas centenas de seguidores depois dessa. Mas continue lendo para entender onde eu realmente quero chegar.

Não, não estou maluco (ainda). Também não estou dizendo que ele seja um líder bom, mas é inegável que é um excelente estrategista político. A Coreia do Norte é um dos países mais pobres do mundo, com um PIB comparável a um daqueles países africanos que você nunca ouviu falar, e tem 50% da sua população abaixo da linha da pobreza. Isso pode te fazer achar que eu estou errado, mas, na verdade, é justamente o oposto.

Se a família Kim fosse tão louca quanto se acredita, dificilmente eles estariam no poder há 7 décadas. Os caras sabem o que estão fazendo. E muito bem. Apesar de tanta pobreza, Kim Jong-Un é venerado pela população. Não é por acaso.

Qual o maior desafio do líder político

Para entender a ideia desse artigo, primeiro temos que discutir o que é ser líder político e qual seu objetivo final. Faça esse exercício reflexivo: abra sua mente e esqueça tudo que você acredita sobre governantes.

Por que governantes nunca conseguem ver claramente os mesmos problemas sociais que você e seus amigos veem? Por que eles sempre agem de forma egoísta, auto-destrutiva e com uma visão limitada de curto prazo?

A realidade é que nenhuma pessoa nunca governa sozinha. Um governante não pode construir estradas, garantir que as leis sejam aplicadas e nem defender o país sozinho. Para isso, ele precisa de outras pessoas agindo por ele. E é aí que reside o problema.

Para fazer essas pessoas trabalharem, ele precisa usar recursos financeiros (advindos dos impostos). Caso contrário, haveria uma revolta e ele perderia o reinado. Acontece que, dependendo do sistema político do país, esse número de "chaves políticas" pode acabar sendo maior ou menor.

Você provavelmente acredita que o objetivo do governante é trabalhar em favor da sociedade. E isso parece o óbvio. Mas isso, na verdade, é o conceito de gestão política. O governante, como indivíduo, antes de mais nada, está sempre querendo garantir seu trono. Afinal, só assim ele é capaz de ser um "governante".

Dito de outra forma, assim como o instinto humano é sempre sobreviver, o instinto do governante é sempre sobreviver na liderança. Parece um pouco exagerado em um primeiro momento, e, de fato, com a perspectiva de um liderado, isso é horrível. Mas com a perspectiva do líder, faz total sentido.

Pense no nosso próprio contexto. Por que temos um presidente que não consegue aprovar as reformas que ele deseja, como a da previdência? Simples, para mexer nesse ninho nebuloso ele precisaria acabar com a mordomia de muita gente importante (juízes, promotores e militares).

Portanto, quaisquer mudanças que você queira fazer para a sociedade não são nada além de pensamentos, se você não conseguir, antes, satisfazer as vontades dos outros indivíduos-chave do governo. Essa é a dura e triste realidade.

Como ditadores resolvem esse problema? Eles limitam o número de "chaves políticas". Alguns poucos generais, burocratas e líderes regionais. Dessa forma, garantir a lealdade dessas pessoas é muito mais fácil (leia-se mais barata).

Mas não se deixe enganar: a lealdade é frágil. No menor sinal de insatisfação eles irão imediatamente tirar o governante do poder. Logo, na cabeça do governante, cada centavo gasto com a população é um centavo a menos gasto em conseguir lealdade.

Essa é a mensagem do livro Dictator's Handbook. Se você ainda não leu, esse livro precisa estar no topo da sua lista de livros a ler. É imperdível.

Dessa maneira, quando eu digo que Kim Jong-Un é um líder efetivo e brilhante, não estou dizendo que ele seja bom para a população, mas, no caráter de líder como sobrevivente, o cara é mestre.

Por que Kim é um líder brilhante

O ditador norte-coreano, assim como seu pai e avô, conseguir seguir exatamente o que o manual do ditador manda. E estão entre os que melhor fizeram isso.

A primeira grande estratégia usada pelo governo norte-coreano é o controle total da mídia. Dessa forma, não importa o quão ferrados estejam os norte-coreanos, a mídia local sempre falará que o mundo inteiro está pior. E, claro, como ninguém conhece a realidade externa, todos acabam acreditando.

Uma má qualidade de vida não é uma consequência de uma série de erros administrativos, mas uma decisão política muto bem estruturada. Liberdade de imprensa nunca foi uma prioridade na lista de demandas de qualquer população. Especialmente quando você mal consegue alimentar seus filhos.

Por outro lado, se Kim trouxesse uma vida melhor para a população, aí sim teria problemas. Sem ter que se preocupar em encher suas barrigas, as pessoas começam a ter tempo para questionar outras coisas.

Agora você pode estar se perguntando: e as ameaças de guerra nuclear? Exato, elas não são nada mais que isso: ameaças.

Qualquer um que realmente acredite em guerra é porque não parou para pensar no assunto por 5 minutos e não enxergou o absurdo que isso seria. As chances de uma guerra mundial acontecer são próximas de zero.

Por que então eles ameaçam os outros países?

Fazer coisas bizarras como matar seu parente com uma metralhadora anti-aérea ou lançar um míssil contra o Japão atraem mídia. E os portais de notícia têm todo interesse em divulgar uma possível guerra, como se de fato fosse acontecer. Afinal, convenhamos, isso vende jornal.

Com as pessoas ao redor do mundo assustadas, Kim consegue negociar melhor ajuda externa, ou impedir interferências de outros países, em troca de "não atacar ninguém". É óbvio que políticos como o Trump sabem que não tem risco nenhum de ataque, mas eles também decidem entrar no jogo. Lutar contra inimigos do seu próprio país sempre foi uma forma efetiva de conquistar votos. Ou seja, é um win-win.

E por que não fazer sanções como fizeram em Cuba? Isso poderia eventualmente causar uma revolta da população coreana, mas a China rapidamente impediria qualquer ação nesse sentido. Uma população mais miserável inevitavelmente traria milhões de imigrantes sem qualificação para as fronteiras chinesas, o que seria um desastre.

A realidade é que quanto mais maluco e instável Kim parecer, menos os demais países irão querer se meter com ele. E essa é a chave que ele usa para vencer países muito mais fortes: a aleatoriedade.

Assim como no xadrez, bons oponentes sempre serão capazes de prever seus movimentos vários passos à frente. A não ser que você realize ações inesperadas com constância. E isso o líder norte-coreano sabe fazer perfeitamente.

Sempre que ouvir histórias sobre como a Coreia do Norte é um país miserável ou que eles estão testando mísseis nucleares, pode ter certeza, não são a toa. Seu país pode parecer um total fracasso, mas o reinado de Kim Jong-Un é tudo menos isso.