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Kim Jong-Un é um dos líderes mais efetivos e brilhantes das últimas décadas. Ok, vou perder algumas centenas de seguidores depois dessa. Mas continue lendo para entender onde eu realmente quero chegar.

Não, não estou maluco (ainda). Também não estou dizendo que ele seja um líder bom, mas é inegável que é um excelente estrategista político. A Coreia do Norte é um dos países mais pobres do mundo, com um PIB comparável a um daqueles países africanos que você nunca ouviu falar, e tem 50% da sua população abaixo da linha da pobreza. Isso pode te fazer achar que eu estou errado, mas, na verdade, é justamente o oposto.

Se a família Kim fosse tão louca quanto se acredita, dificilmente eles estariam no poder há 7 décadas. Os caras sabem o que estão fazendo. E muito bem. Apesar de tanta pobreza, Kim Jong-Un é venerado pela população. Não é por acaso.

Qual o maior desafio do líder político

Para entender a ideia desse artigo, primeiro temos que discutir o que é ser líder político e qual seu objetivo final. Faça esse exercício reflexivo: abra sua mente e esqueça tudo que você acredita sobre governantes.

Por que governantes nunca conseguem ver claramente os mesmos problemas sociais que você e seus amigos veem? Por que eles sempre agem de forma egoísta, auto-destrutiva e com uma visão limitada de curto prazo?

A realidade é que nenhuma pessoa nunca governa sozinha. Um governante não pode construir estradas, garantir que as leis sejam aplicadas e nem defender o país sozinho. Para isso, ele precisa de outras pessoas agindo por ele. E é aí que reside o problema.

Para fazer essas pessoas trabalharem, ele precisa usar recursos financeiros (advindos dos impostos). Caso contrário, haveria uma revolta e ele perderia o reinado. Acontece que, dependendo do sistema político do país, esse número de "chaves políticas" pode acabar sendo maior ou menor.

Você provavelmente acredita que o objetivo do governante é trabalhar em favor da sociedade. E isso parece o óbvio. Mas isso, na verdade, é o conceito de gestão política. O governante, como indivíduo, antes de mais nada, está sempre querendo garantir seu trono. Afinal, só assim ele é capaz de ser um "governante".

Dito de outra forma, assim como o instinto humano é sempre sobreviver, o instinto do governante é sempre sobreviver na liderança. Parece um pouco exagerado em um primeiro momento, e, de fato, com a perspectiva de um liderado, isso é horrível. Mas com a perspectiva do líder, faz total sentido.

Pense no nosso próprio contexto. Por que temos um presidente que não consegue aprovar as reformas que ele deseja, como a da previdência? Simples, para mexer nesse ninho nebuloso ele precisaria acabar com a mordomia de muita gente importante (juízes, promotores e militares).

Portanto, quaisquer mudanças que você queira fazer para a sociedade não são nada além de pensamentos, se você não conseguir, antes, satisfazer as vontades dos outros indivíduos-chave do governo. Essa é a dura e triste realidade.

Como ditadores resolvem esse problema? Eles limitam o número de "chaves políticas". Alguns poucos generais, burocratas e líderes regionais. Dessa forma, garantir a lealdade dessas pessoas é muito mais fácil (leia-se mais barata).

Mas não se deixe enganar: a lealdade é frágil. No menor sinal de insatisfação eles irão imediatamente tirar o governante do poder. Logo, na cabeça do governante, cada centavo gasto com a população é um centavo a menos gasto em conseguir lealdade.

Essa é a mensagem do livro Dictator's Handbook. Se você ainda não leu, esse livro precisa estar no topo da sua lista de livros a ler. É imperdível.

Dessa maneira, quando eu digo que Kim Jong-Un é um líder efetivo e brilhante, não estou dizendo que ele seja bom para a população, mas, no caráter de líder como sobrevivente, o cara é mestre.

Por que Kim é um líder brilhante

O ditador norte-coreano, assim como seu pai e avô, conseguir seguir exatamente o que o manual do ditador manda. E estão entre os que melhor fizeram isso.

A primeira grande estratégia usada pelo governo norte-coreano é o controle total da mídia. Dessa forma, não importa o quão ferrados estejam os norte-coreanos, a mídia local sempre falará que o mundo inteiro está pior. E, claro, como ninguém conhece a realidade externa, todos acabam acreditando.

Uma má qualidade de vida não é uma consequência de uma série de erros administrativos, mas uma decisão política muto bem estruturada. Liberdade de imprensa nunca foi uma prioridade na lista de demandas de qualquer população. Especialmente quando você mal consegue alimentar seus filhos.

Por outro lado, se Kim trouxesse uma vida melhor para a população, aí sim teria problemas. Sem ter que se preocupar em encher suas barrigas, as pessoas começam a ter tempo para questionar outras coisas.

Agora você pode estar se perguntando: e as ameaças de guerra nuclear? Exato, elas não são nada mais que isso: ameaças.

Qualquer um que realmente acredite em guerra é porque não parou para pensar no assunto por 5 minutos e não enxergou o absurdo que isso seria. As chances de uma guerra mundial acontecer são próximas de zero.

Por que então eles ameaçam os outros países?

Fazer coisas bizarras como matar seu parente com uma metralhadora anti-aérea ou lançar um míssil contra o Japão atraem mídia. E os portais de notícia têm todo interesse em divulgar uma possível guerra, como se de fato fosse acontecer. Afinal, convenhamos, isso vende jornal.

Com as pessoas ao redor do mundo assustadas, Kim consegue negociar melhor ajuda externa, ou impedir interferências de outros países, em troca de "não atacar ninguém". É óbvio que políticos como o Trump sabem que não tem risco nenhum de ataque, mas eles também decidem entrar no jogo. Lutar contra inimigos do seu próprio país sempre foi uma forma efetiva de conquistar votos. Ou seja, é um win-win.

E por que não fazer sanções como fizeram em Cuba? Isso poderia eventualmente causar uma revolta da população coreana, mas a China rapidamente impediria qualquer ação nesse sentido. Uma população mais miserável inevitavelmente traria milhões de imigrantes sem qualificação para as fronteiras chinesas, o que seria um desastre.

A realidade é que quanto mais maluco e instável Kim parecer, menos os demais países irão querer se meter com ele. E essa é a chave que ele usa para vencer países muito mais fortes: a aleatoriedade.

Assim como no xadrez, bons oponentes sempre serão capazes de prever seus movimentos vários passos à frente. A não ser que você realize ações inesperadas com constância. E isso o líder norte-coreano sabe fazer perfeitamente.

Sempre que ouvir histórias sobre como a Coreia do Norte é um país miserável ou que eles estão testando mísseis nucleares, pode ter certeza, não são a toa. Seu país pode parecer um total fracasso, mas o reinado de Kim Jong-Un é tudo menos isso.

Convidamos o maior especialista em produtividade do Brasil para dar dicas sobre como você pode ser mais produtivo, adotar rotinas mais saudáveis e ter mais tempo livre no dia-a-dia.

A 'Centrífuga Convida - Christian Barbosa' também está no formato podcast:

Você pode nunca ter pensado nisso. Mas as palavras que usamos todos os dias moldam nossas realidades. Apenas o uso de uma palavra correta ou incorreta pode significar conquistar algo que você deseja ou não. E como você pode se beneficiar disso?

Nossas escolhas de palavras causam uma impressão poderosa sobre as pessoas com quem conversamos. Seja na fila do banco, na entrevista de emprego ou durante uma reunião formal com seus clientes.

No livro “Como conversar com qualquer pessoa”, Leil Lowndes mostra que diferentes situações e diferentes pessoas exigem diferentes vocabulários e tonalidades. Se ainda não leu, recomendo fortemente.

Entretanto, existem algumas palavras que mantêm o poder, independentemente do contexto. Então, da próxima vez que você realmente quiser algo - seja um aumento de salário, uma vaga de emprego ou até um favor pessoal - aqui estão 10 palavras que podem ajudá-lo:

Porque

Para mim, essa é a mais importante de todas, pois mostra uma justificativa para suas ações. Essa palavra explica as motivações para cada elemento do seu pedido. No livro “As Armas da Persuasão”, Robert Cialdini prova que a combinação "pedido + motivo" aumenta significativamente a probabilidade de seu pedido ser atendido. Basta pensar: você faria algo para uma pessoa (especialmente se você não a conhecer) se ela não desse uma mínima razão que justifique o que ela queira? Pois é, assim como você não faz, os outros também não farão por você. Portanto, acrescente justificativas no que você fala. Tenha um propósito para tudo que você deseja. Você verá que isso não só aumentará sua chance de sucesso, como também te fará refletir na real necessidade de muitas coisas inúteis que você realiza.

Farei

É a palavra que usamos para mudar para o tempo futuro, e é poderosa porque implica o que acontece depois que a conversa acabou com um certo grau de certeza. Declarar que você "fará" algo como uma ação direta demonstra confiança e proporciona uma visão clara, além de mitigar a possibilidade de falta de comunicação. Você mostrará que não é uma pessoa de palavras, mas de ações.

Você

Ao fazer um pedido, a tendência é que as pessoas falam somente sobre si mesmas. Elas vão dizer coisas como "eu quero isso porque preciso disso", explicando suas motivações pessoais ou os motivos lógicos por que elas querem. Em vez disso, que tal tenta enquadrar a conversa na perspectiva da pessoa com quem você está falando. Como que seu pedido irá agregar valor ou afetar o outro interlocutor? Uma técnica simples aqui é mostrar para a pessoa o que ela pode ganhar fazendo o que você quer. Por exemplo, "Eu acho que você verá um aumento nas vendas se implementar isso". Esse tipo de frase coloca o ouvinte no centro da conversa, o que gera um compromisso mais positivo.

Nós

Essa é uma extensão da palavra acima. Assim como "você", "nós" tira parte do foco do seu interesse próprio e passa a gerar um engajamento coletivo. Inicialmente, isso faz com que você pareça menos centrado no ego e seja mais acolhedor. Além disso, também implica que vocês dois são uma única unidade e que qualquer benefício positivo para você será um benefício positivo para o outro.

Juntos

"Juntos" funciona da mesma forma que "nós". Ela implica um grau de familiaridade e cooperação, fornecendo um tipo de lubrificante conversacional para tornar seus pedidos mais fáceis de engolir. Lembre-se sempre que o ser humano é um animal sociável. Eles sempre vão estar mais aptos a realizarem coisas para os que forem de seus “grupos” ou “comunidades”. É sempre bom adotar atitudes que façam seu pedido (e seus eventuais resultados) parecer uma oportunidade mútua.

Se

Essa palavra tem um enorme poder porque gera condições. É tão útil que praticamente todos os códigos de programação de computador usam condições “se... então”. No nível pessoal, ela lhe dá a oportunidade de quebrar uma situação até seus termos mais básicos ao explorar resultados hipotéticos. Explorando bem isso, você pode mostrar o que acontecerá caso a pessoa não faça o que você deseja. Por exemplo: "Se escolhermos a opção A, teremos aumentos de receita e produtividade, porém se escolhermos a opção B, tudo permanecerá o mesmo".

Poderia

Se você começar uma conversa de forma negativa, inseguro se algo é mesmo possível, pode ter certeza que a probabilidade das coisas não darem certo são altíssimas. Usar a palavra "pode" implica um mínimo de confiança, ao contrário de "não irá" ou "nunca". Exemplo: “Caso você faça isso, poderia gerar um bom benefício para a empresa”

Esse tipo de palavra mantém a conversa positiva, além de permitir que você explore seus resultados futuros hipotéticos. Nesse caso, é especialmente útil quando o interlocutor tem um contra-argumento. Por exemplo, "eu poderia realizar o trabalho extra, mas seria melhor se houvesse mais flexibilidade no prazo".

Mantenha rotas de fugas abertas para, caso você não consiga obter os resultados desejados com suas ações, você tenha uma justificativa por não cumprir sua promessa.

Fato

Sempre que você mostrar algum fato que justifique o que quer, você estará aumentando significativamente suas chances de persuasão. Tenha isso em mente: contra fatos não existem argumentos. Há apenas uma ressalva: os fatos precisam ser sempre reais, embasados em evidências empíricas ou pesquisas de algum tipo. A partir do momento que sua palavra não é mais confiável, desista de conseguir as coisas. Usar mais fatos em seu diálogo irá ajudá-lo a fortalecer sua posição e garantir um ângulo mais persuasivo para sua discussão.

Abrir

Nem sempre você concordará com tudo o que a outra pessoa lhe disser. Portanto você não realizará todas as solicitações feitas. Mas fechar pedidos com um "não" ou um "nunca" é negativo e contraproducente. Em vez disso, indique que você está "aberto" à ideia, mas uma negociação adicional será necessária antes de você concordar plenamente.

Obrigado

Agradecer é tão simples e não custa nada. Por que não usar mais o “obrigado”? Comece agora mesmo! Um simples agradecimento é uma expressão imediata, e se você começar uma conversa com isso, estará indo por um bom caminho. Você mostrará que realmente se importa com o tempo dispensado pela outra pessoa, o que a tornará mais propensa e interessada em ajudá-lo. Um simples "obrigado pelo seu tempo" no início ou final de uma reunião é perfeito estabelecer esse tom positivo. E lembre-se: se alguém te conceder uma gentileza e você não agradecer, suas chances dessa mesma pessoa te ajudar no futuro reduzem drasticamente.


Essas dez palavras não são mágicas, nem controlam as ações dos ouvintes. Mas usadas no contexto apropriado, elas podem ajudá-lo a abrir portas para mais negociações e maior sucesso no que deseja. Você se mostrará aberto, inteligente e persuasivo, o que significa que terá uma vantagem enorme quando fizer seu pedido.

Atrair bons colaboradores é um dos maiores desafios das empresas. Entretanto, um desafio ainda maior, é mantê-los satisfeitos e motivados dentro da própria empresa. Às vezes, regras sem sentido podem acabar afastando-os. Mais regras, menos paixão você encontrará no seu time.

Frequentemente, os melhores colaboradores podem sair da empresa pois obtiveram uma melhor oportunidade em outro lugar. Mas, em boa parte das vezes, eles acabam se demitindo por causa de normas que vão causando uma grande dor de cabeça ao longo do tempo.

Podem ser pequenas coisas. Mas que, com o passar do tempo, vão acumulando e se transformando em uma grande bola de neve.

Várias empresas criam culturas de regras rígidas. E, dessa forma, seus gestores podem achar que estão com tudo sob controle. Entretanto, um excesso de regras quase nunca é uma boa ideia. Confira abaixo as principais regras estúpidas que afastam aqueles que nunca deveriam ser afastados.

Processos de contratação sem lógica

Quem nunca passou dias preparando o currículo e uma carta de apresentação cuidadosamente para se inscrever em diversos processos seletivos que, simplesmente, não deram nenhum retorno?

Para muitas empresas, o processo seletivo não é apenas sem lógica, mas desumano. A começar pela linguagem das descrições das vagas, que é sempre a mesma baboseira corporativa.

Depois, os candidatos são tratados como produtos num supermercado e, muitas vezes, ficam semanas esperando novidades sobre o processo. Com sorte recebem algum retorno se não são aceitos.

De fato, fazer a contratação de funcionários não é fácil. Mas, frequentemente, gestores reclamam da falta de talentos quando, na verdade, o que falta é um processo seletivo mais humano e eficaz. E é exatamente o processo seletivo que é a porta de entrada para o colaborador. E também onde ele obtém a primeira impressão da empresa.

Horários de trabalho rígidos

No mundo moderno, muitas posições de trabalho já não comportam mais horários rígidos de presença no local de trabalho. Se a gestão for feita de forma adequada, os funcionários estão cientes sobre qual é o trabalho a ser feito. Assim, deveriam ter uma opção maior de escolha de onde e quando podem trabalhar.

E isso não significa abandonar as atividades no escritório, mas dinamizar a rotina, possibilitando novas alternativas que possam gerar mais produtividade.

Hoje o que manda é a produtividade. O colaborador deve ser capaz de fazer o próprio julgamento do quanto ele está produzindo e agregando valor para a empresa. Se ele não for capaz de ter essa responsabilidade, sequer deveria ter sido contratado.

Forçar o colaborador a permanecer no escritório sem que ele tenha nada para fazer pode ir desgastando sua motivação ao longo do tempo. Um bom colaborador saberá quando é a hora de sair mais cedo e quando é a hora de ficar até mais tarde.

Regras para aprovação de decisões

Um dos principais fatores que prejudicam a produtividade de uma empresa é a burocracia na tomada de decisões. Isso é resultado, na maioria das vezes, de uma falha em delegar decisões para os colaboradores.

Em seu livro “Trabalhe 4 horas por semana”, Tim Ferris relata como conseguiu desatravancar centenas de processos na sua empresa permitindo que seus funcionários pudessem tomar decisões que custassem menos de $100.

Dessa maneira, ele não precisava ficar o dia inteiro respondendo emails autorizando medidas que teriam um baixo impacto na empresa e tinha mais tempo para se dedicar para coisas mais importantes.

Você quer mesmo botar seus melhores e mais produtivos trabalhadores para perder tempo correndo atrás de autorização para executar coisas simples? Não parece muito lógico, já que, além de desperdiçar tempo e dinheiro, mostra ao funcionário que você não confia no julgamento dele.

Tirar o dia livre

Se um funcionário não está se sentindo bem, por que obrigá-lo a ir ao escritório? Isso não só reduzirá sua produtividade, como também poderá retardar sua recuperação.

Seres humanos são propensos a ficarem doentes ou indispostos. Qualquer empresa deve estar pronta para situações de contingência como essa. É claro que há casos e casos, portanto, às vezes, realmente um sacrifício é necessário. Mas não sempre.

É muito fácil saber quem realmente precisa de um dia livre e quem está abusando da boa vontade da empresa. Basta monitorar corretamente. Portanto, não há motivos para não dar um voto de confiança ao colaborador.

Novamente, se a pessoa não possui esse tipo de responsabilidade, não deveria ter sido contratada para início de conversa.

Regras para uso de celulares e internet

Impedir que a pessoa use o celular ou acesse certos sites não vai torná-la mais produtiva. Pelo contrário, só fará com que ela gaste tempo tentando burlar essas regras. E sim, todos burlam essas regras, até quem as criou.

Fica aqui uma grande dica: transforme o limão em limonada. Uma pessoa verdadeiramente produtiva simplesmente não vai ter tempo para ficar no celular ou no Facebook. Portanto, não precisa proibir o acesso.

Aproveite para verificar quem são os funcionários produtivos e disciplinados e quem são aqueles que ficam o dia inteiro grudado no celular.

Presença em eventos sociais da empresa

Muitas empresas enxergam eventos sociais como forma de melhorar sua imagem junto ao colaborador e tentar gerar uma interação entre eles. Porém, na prática, nem sempre é o que acontece.

Quando ocorrem em excesso, esses eventos passam a se tornar exaustivos. Corrida corporativa em uma semana, churrasco na outra, amigo oculto na seguinte... Bom lembrar que o funcionário está deixando de passar esse tempo com sua família para passar com gente que ele já vê todo dia e não necessariamente são seus amigos.

Economizar dinheiro em um evento desses também é algo que nunca deve ser sequer cogitado. Além de passar uma péssima impressão para o funcionário, só colabora para que eles fiquem com ainda menos vontade de comparecer.Conversando com recrutadores profissionais, percebo uma queixa comum relacionada com a distância entre habilidades requeridas para a função e salários pagos. Muitos empregadores exigem preparo e comprometimento incompatíveis com a remuneração proposta – o que sugere um desequilíbrio de expectativas.

Há dois aspectos básicos a serem considerados nesta questão: o custo real de uma remuneração baixa e o efeito moral dessa política compensatória.

Ambos são abordados pelo professor Wayne F. Cascio, da Universidade do Colorado, no artigo The high cost of low wages, na Harvard Business Review de dezembro de 2006. O principal argumento de Cascio reside no fato de que baixos salários resultam em altos custos para a empresa num horizonte de tempo mais amplo.

Suas ideias baseiam-se numa pesquisa realizada com as duas maiores cadeias varejistas dos Estados Unidos: CostCo e Wal-Mart / Sam’s Club. Ambas disputam acirradamente no mercado altamente competitivo de supermercado atacadista. Com 338 lojas e 67.600 funcionários a CostCo lidera detendo, aproximadamente, 50% do mercado. Logo atrás vem o Sam’s Club e suas 551 lojas povoadas por 110.200 colaboradores, abocanhando cerca de 40% de market share.

Logo de cara já dá para perceber uma enorme diferença na relação entre participação de mercado e número de lojas e funcionários de cada empresa, sugerindo um abismo de produtividade entre os dois concorrentes.

Mas se olharmos os números apresentados no estudo de Cascio, podemos ter uma boa ideia sobre a origem de tais diferenças: a CostCo paga cerca de US$ 17,00 a hora, cobre os custos de seguro-saúde de 82% de seus funcionários e contribui, ainda, com uma média de US$ 1.330,00 anuais para os planos de aposentadoria de 91% deles.

Já seu concorrente remunera à base de US$ 10,11 pelo mesmo trabalho, oferece seguro-saúde à metade dos empregados e colabora com US$ 747,00, em média, para a previdência privada de 64% de seus quadros.

Haveria uma natural tendência em apontar, nesse caso, os melhores salários e benefícios pagos pela CostCo como principal e único responsável pela sua melhor performance em relação a seu concorrente.

Mas quando escrevi sobre o Efeito Halo, chamei atenção para o fato de atribuirmos, por vezes, uma determinada conseqüência a apenas uma causa, numa relação única e direta de causalidade. Em sistemas complexos, como uma rede de lojas, isso pode estar bem longe da realidade. Voltemos, então, às implicações dos níveis salariais:

Custo Real: a frequência com a qual os funcionários saem e entram na companhia (turnover) representa um elevado custo para uma empresa – além de uma medida geral de satisfação. No Sam’s ela fica na média do setor, que é em torno de 44%. Mas a CostCo renova apenas 17% de seus funcionários anualmente. Assumindo um custo (conservador) de reposição do funcionário* em 60% do seu salário anual, cada contratação custa US$ 12.617 ao Sam’s e US$ 21.216 à Costco. A vantagem vem no número bem menor de contratações da CostCo (17% de turnover X 67.600 funcionários = 11.492 novos funcionários por ano), que lhe gera custos anuais de US$ 244 milhões (11.492 funcionários X US$ 21.216), contra despesas da ordem de US$ 612 milhões para o Sam’s (44% X 110.200 = 48.488).

Efeito Moral: a satisfação por ter um pacote de salário e benefícios mais atraentes, além de gerar mais vendas – alavancadas por funcionários motivados – aumenta o nível de comprometimento, colaboração e fidelidade entre os colaboradores e a empresa. Fora um lucro maior por funcionário (CostCo = US$ 21.805; Sam’s = US$ 11.615,00) a CostCo tem, ainda, um baixíssimo índice de furtos.

Talvez a maior lição desse artigo resida no fato de sempre nos concentrarmos apenas nos custos que estão visíveis para nós. Pagar pouco para um funcionário pode significar deixar de receber muito por ele. O mesmo vale para quando estamos comprando: nem sempre comprar mais barato é o melhor negócio, pois às vezes é mais interessante comprar da forma mais barata.

A pergunta que devemos nos fazer é: onde estão os custos ocultos de nossas transações?

O empreendedorismo é muitas vezes visto exclusivamente pelo prisma das histórias de sucesso. Pessoas se fascinam com o potencial de poder montar seus horários, trabalhar de onde você estiver e não ter que responder a um chefe. Entretanto, existe o outro lado da moeda. E isso você não costuma ouvir em livros e palestras do gênero: a solidão.

Há uma razão simples para ninguém falar sobre o assunto: as pessoas só compram aquilo que elas querem ouvir. E, de forma geral, seres humanos não gostam de ouvir a realidade, eles preferem ouvir promessas intangíveis.

Com isso, acabam proliferando os ditos “empreendedores de palco”, que só apontam o lado bom do empreendedorismo, e vivem anunciando que você irá realizar seus sonhos facilmente e será feliz eternamente.

Já o lado ruim nunca está presente em seus discursos.

O maior desserviço ao empreendedorismo é falar apenas das vitórias, como se derrotas não existissem também. E o pior: as derrotas são muito mais comuns que as vitórias.

Essa falsa ilusão passada pelos “gurus” do empreendedorismo acaba levando muitas pessoas para as cadeiras de psicanálise, após elas entrarem em contato com a realidade.

A realidade é que a grande maioria dos empreendedores acaba sofrendo de solidão. Não uma solidão por não ter pessoas ao seu redor, mas uma solidão por não ter com quem conversar honestamente sobre suas experiências e preocupações. Especialmente em uma sociedade onde o convencional é ser trabalhador CLT e onde o empreendedorismo ainda é muito visto como aposta.

É muito difícil para quem está de fora entender a cabeça de um empreendedor. Enquanto seus amigos estão passando o fim-de-semana na praia, você está trabalhando e se dedicando à sua empresa. Ou, no mínimo, está com a cabeça nos seus negócios. E eles simplesmente não conseguem entender a razão.

Muitas vezes as próprias relações familiares também ficam estremecidas. Quando não são pais que totalmente desacreditam nos sonhos inovadores dos filhos empreendedores, são parceiros e filhos, que acabam ficando de lado às vezes.

Espaços coworking podem até ser uma alternativa para mitigar o problema. Lá você acaba conhecendo outras pessoas com a mesma mentalidade que a sua. Porém, não são todos os lugares que possuem esses espaços e, se você está em um estágio inicial da sua empresa, o aluguel pode ser impraticável.

Empreendedores estão constantemente sofrendo dificuldades mentais e emocionais diariamente. Dúvidas sobre o futuro e o risco de tudo dar errado a qualquer momento são o lado negro do empreendedorismo.

Além disso, pode ser complicado ser vulnerável na frente dos seus amigos, já que você precisa mostrar uma atitude confiante. E, para muitos empreendedores, o seu próprio nome é a sua marca, portanto qualquer sinal de fraqueza pode prejudicar sua imagem.

Durante muito tempo me perguntei como eu poderia ajudar empreendedores que compartilham esse sentimento de solidão. E mais: como todos podemos nos fortalecer mutualmente de maneira colaborativa?

Todos os dias eu recebo mensagens de pessoas com ideias de negócio querendo minha opinião ou querendo que eu apresente alguém para ajudá-las com suas empresas. E isso acabou me dando uma ideia que estou botando em prática nas próximas semanas.

Meu plano é facilitar conexões entre as pessoas e, com isso, fomentar o surgimento de novos empreendimentos e oportunidades. Imagine o potencial que isso pode gerar!

Você precisa de um designer para sua empresa, um sócio para uma startup, um contador, arquiteto ou até um advogado? Qualquer tipo de parceria que seja! Ou você está na outra ponta e pode ajudar alguém com suas habilidades?

Às vezes tem alguém precisando da sua habilidade, mas simplesmente não sabe da sua existência!

Não importa o quão doidas e diferentes forem suas ideias ou capacidades, sempre existe uma pessoa em algum lugar que pode agregar valor para você. E como funcionará?

Simples! Através do bom e velho networking presencial. Precisamos sair da zona de conforto de só conhecer as pessoas virtualmente e começar a realmente encontrá-las pessoalmente. Só assim que negócios são feitos e oportunidades surgem.

Portanto, nos próximos meses estarei indo a diversas cidades do Brasil e, junto a parceiros locais, estaremos organizando eventos de networking, onde daremos dicas para você aumentar suas redes de contatos de forma efetiva e obter mais resultados nos seus empreendimentos. E, claro, haverá um espaço para você conhecer dezenas de novas pessoas que possuem a mesma mentalidade que a sua.

Vale ressaltar que os eventos serão abertos não só para quem quer abrir negócios, mas especialmente para profissionais que querem alavancar suas carreiras e adquirir experiências únicas com outros profissionais bem qualificados.

Já estou programando eventos em SP, Campinas e RJ. Portanto, se você é de uma dessas cidades deixe nos comentários abaixo, que eu passarei mais informações em breve.

Se você é de outra cidade, diga também nos comentários de onde você é e que tipo de negócios e oportunidades você espera. Dessa forma consigo planejar algo no futuro.

E, claro, dúvidas, sugestões e críticas também são sempre bem-vindas para podermos cada vez calibrarmos melhor os eventos. Realmente acredito que com pequenas colaborações como essa, todos podemos nos desenvolver juntos! E você?