Pular para o conteúdo

Civilizados e urbanos, somos mais felizes que nossos ancestrais selvagens. Eles dormiam na pedra fria, dentro de cavernas e buracos - nós, em camas fofas, dentro de casas e apartamentos. Eles tomavam banho com água corrente e gelada - quando tomavam. Nós, com água encanada e quente. Pagamos um pedágio barato para sermos felizes: só tivemos que abrir mão do contato com a terra bruta e de contexto vivo diferente do nosso, para ganharmos as camas e banhos quentes. Sogras e coachs são efeitos colaterais.

Bom por um lado - as camas são confortáveis e já não temos o risco de um predador esfomeado nos engolir enquanto tomamos banho - e péssimo por outro visto que não tivemos tempo suficiente para aprender uma lição. Sem esta lição, ainda somos presa fácil de um predador sofisticado.

Lição abundante na natureza, aliás. E simples.

Percevejos

Formigas não gostam muito da ideia mas elas são o prato principal no cardápio do 'Acanthaspis Petax', uma espécie de percevejo - inseto carnívoro, parente daquele outro que perambula em algumas camas. As formigas, sempre em maior número, cortariam o percevejo faminto em pedaços, caso um atrevido fizesse do formigueiro a sua praça de alimentação. Só que…

O esperto moço se disfarça com cadáveres. Primeiro, caça algumas formigas e gruda as carcaças no seu corpo, formando uma capa de formigas mortas. Depois, disfarçado e protegido, invade o formigueiro e se empanturra sem sofrer qualquer golpe defensivo. As formigas, que se guiam por feromônio, não 'cheiram' a presença do esfomeado percevejo.

Um primor de estratégia, não é? É a estratégia do engano: as formigas pensam que ele é outra… formiga! Carregando sua armadura de cadáveres o percevejo exala o cheiro que confunde as formigas trouxas. Elas não vêem a diferença e abaixam as defesas. O embusteiro está com disfarce troiano!

Formigas

Não somos formigas mas temos alguns paralelos com elas que são interessantes para lembrar na próxima boa conversa com amigos. Elas são sociais - nós também. Elas vivem em grandes comunidades - e nós em São Paulo, Nova York e Tokio. Elas distribuem tarefas, não fazem greves, não tem coachs e nem sogras - bem, parece que ainda temos problemas neste ponto...

As formigas são o prato principal no cardápio do almoço do percevejo embusteiro - e nós, felizes e sem saber, também somos servidos como prato principal em alguns banquetes sofisticados.

Ó, sois formigas trouxas - e um percevejo quer almoçar vocês.

Ó, sois formigas trouxas - e o percevejo esfomeado distribui conteúdo da hashtag ACME com a mão direita sem mostrar que a mão esquerda recebe moedas ACME.

Ó, sois formigas trouxas - e o percevejo digital produz selfies de bom moço (existem percevejos fêmeas também) colando no seu corpo pedaços de outras formigas. Com a mesma roupa que elas usam e falando que tem os mesmos desafios da vida das formigas, entra no formigueiro das redes sociais com um disfarce troiano. Lá, encanta legião de formigas com hashtag ACME como se fosse apenas uma formiga deslumbrada como outra qualquer falando de coisas bacanas.

Ó, sois formigas trouxas - e o percevejo esfomeado e digital vai continuar feliz na sua importunada missão, escurecendo suas motivações para se esgueirar para dentro do formigueiro e se empanturrar, até que…

Até que algumas formigas atentas sentem o cheiro do embusteiro - e dão o alerta! Ao percevejo acuado resta desconversar e mais que rapidamente incluir o honesto #disclaimer que antes era a inconveniência que denunciaria o disfarce troiano. Num salamaleque digital, aparece o que antes não aparecia - a nota de rodapé explicando que a marca ACME ofereceu as bem-vindas moedas ACME.

Pilares

Estamos construindo um futuro digital prenhe de possibilidades. Viveremos cem anos nos próximos dez e é impossível imaginar o inventário de coisas fantásticas - talvez outras nem tanto - que criaremos enquanto fazemos apostas imensas buscando a prosperidade em grande escala. Contudo…

Os pilares básicos da prosperidade, a confiança e sua irmã siamesa, a transparência, são erodidos quando os sistemas éticos que os abrigam sofrem ataques dissimulados como 'avanços necessários'. É do relacionamento profundo dos sistemas éticos com o comportamento humano que emergem as comunidades morais e qualquer comunidade moral, seja física ou digital, favorece um grau de sociabilidade espontânea entre seus integrantes. Na cadeia das relações produtivas que avança até desaguar na riqueza, a sociabilidade espontânea é um elo necessário e central - antes de qualquer sociedade criar riqueza, seus integrantes precisam trabalhar juntos e como prosseguir juntos se não for confiando uns nos outros, sendo os outros em boa parte desconhecidos e fora do círculo de relações sociais imediatas? A eficiência econômica e a riqueza, e a prosperidade que delas resultam, portanto, são produtos finais da confiança e transparência. Toda a sociedade que sofreu retrocessos irreparáveis a ponto de comprometer sua eficiência econômica - sem exceção - permitiu, deliberada ou desavisadamente, a erosão dos pilares siameses, confiança e transparência.

Sob que condições Você faria negócios com alguém que não ilumina suas verdadeiras motivações? Faria negócios com alguém que é capaz de vender a confiança que recebe na mão direita - através da inocente hashtag ACME colada em seu depoimento - e esconde a mão esquerda que recebe moedas ACME? Neste caso, Você está lidando com um influenciador que, no contexto e no discurso, produz informação crível que endossa marcas enquanto ilumina as motivações que o energizam a favor das patrocinadoras ou está lidando com um percevejo digital esfomeado? O sistema ético que está suportado pelos pilares básicos da prosperidade sofre abalos irreparáveis apenas quando a confiança e transparência são golpeadas por forças titânicas ou a erosão lenta e continuada de milhares de percevejos produz os mesmos danos irreparáveis?

36 CDC

Ainda há um efeito colateral e efeitos colaterais são, quase sempre, ruins. Os que estão empenhados em construir influência digital transparente, com informação completa e sem disfarces troianos, vez por outra ouvem, das formigas trouxas, que vamos reinventar o marketing, que vamos nos adaptar à força, que o jogo mudou e que o CTA do formigueiro subiu para o primeiro plano - enquanto a transparência escorrega para o segundo.

Ou que nossas normas recolhidas e escritas no código das leis mofaram e que o albergue da confiança nas relações de consumo - erguido pelo legislador com a linha única do artigo 36, do Código de Defesa do Consumidor - não é mais habitável.

Mas foi o legislador que percebeu as consequências indesejáveis quando a tríade tecnologia, conteúdo e dinheiro se combina com intenções troianas. Foi o legislador quem primeiro entendeu que a relação de consumo não é apenas contratual e que esta relação já se manifesta quando ainda estão em ação técnicas de estimulação e quando, de fato, sequer se pode falar em verdadeiro consumo - somente em expectativa de consumo. A proteção ao consumidor - que deve ser instilada na cadeia da prosperidade -, portanto, precisa ter início em momento anterior ao da realização do contrato de consumo e num só traço sem ambiguidades, o legislador construiu um albergue sólido para a confiança:

A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.

Embuste

As formigas trouxas, felizes à mesa do almoço sem saber que são o prato principal, aplaudem efusivamente os salamaleques do percevejo esfomeado, apontando suas defesas contra seus pares e contra o legislador. Curtem e compartilham a hashtag ACME e assim participam do embuste.

O embuste. Não vimos nosso direito de habitar no Paraíso sequestrado por um embuste? Não sabemos que nosso direito à confiança e à informação - os pilares profundos da criação de riqueza e prosperidade - é sequestrado toda vez que a informação crível e desinteressada é substituída por salamaleques do percevejo digital disfarçado com uma capa troiana?

Ó, formigas trouxas que não dormem mais na pedra fria: há percevejos em suas camas.

Kim Jong-Un é um dos líderes mais efetivos e brilhantes das últimas décadas. Ok, vou perder algumas centenas de seguidores depois dessa. Mas continue lendo para entender onde eu realmente quero chegar.

Não, não estou maluco (ainda). Também não estou dizendo que ele seja um líder bom, mas é inegável que é um excelente estrategista político. A Coreia do Norte é um dos países mais pobres do mundo, com um PIB comparável a um daqueles países africanos que você nunca ouviu falar, e tem 50% da sua população abaixo da linha da pobreza. Isso pode te fazer achar que eu estou errado, mas, na verdade, é justamente o oposto.

Se a família Kim fosse tão louca quanto se acredita, dificilmente eles estariam no poder há 7 décadas. Os caras sabem o que estão fazendo. E muito bem. Apesar de tanta pobreza, Kim Jong-Un é venerado pela população. Não é por acaso.

Qual o maior desafio do líder político

Para entender a ideia desse artigo, primeiro temos que discutir o que é ser líder político e qual seu objetivo final. Faça esse exercício reflexivo: abra sua mente e esqueça tudo que você acredita sobre governantes.

Por que governantes nunca conseguem ver claramente os mesmos problemas sociais que você e seus amigos veem? Por que eles sempre agem de forma egoísta, auto-destrutiva e com uma visão limitada de curto prazo?

A realidade é que nenhuma pessoa nunca governa sozinha. Um governante não pode construir estradas, garantir que as leis sejam aplicadas e nem defender o país sozinho. Para isso, ele precisa de outras pessoas agindo por ele. E é aí que reside o problema.

Para fazer essas pessoas trabalharem, ele precisa usar recursos financeiros (advindos dos impostos). Caso contrário, haveria uma revolta e ele perderia o reinado. Acontece que, dependendo do sistema político do país, esse número de "chaves políticas" pode acabar sendo maior ou menor.

Você provavelmente acredita que o objetivo do governante é trabalhar em favor da sociedade. E isso parece o óbvio. Mas isso, na verdade, é o conceito de gestão política. O governante, como indivíduo, antes de mais nada, está sempre querendo garantir seu trono. Afinal, só assim ele é capaz de ser um "governante".

Dito de outra forma, assim como o instinto humano é sempre sobreviver, o instinto do governante é sempre sobreviver na liderança. Parece um pouco exagerado em um primeiro momento, e, de fato, com a perspectiva de um liderado, isso é horrível. Mas com a perspectiva do líder, faz total sentido.

Pense no nosso próprio contexto. Por que temos um presidente que não consegue aprovar as reformas que ele deseja, como a da previdência? Simples, para mexer nesse ninho nebuloso ele precisaria acabar com a mordomia de muita gente importante (juízes, promotores e militares).

Portanto, quaisquer mudanças que você queira fazer para a sociedade não são nada além de pensamentos, se você não conseguir, antes, satisfazer as vontades dos outros indivíduos-chave do governo. Essa é a dura e triste realidade.

Como ditadores resolvem esse problema? Eles limitam o número de "chaves políticas". Alguns poucos generais, burocratas e líderes regionais. Dessa forma, garantir a lealdade dessas pessoas é muito mais fácil (leia-se mais barata).

Mas não se deixe enganar: a lealdade é frágil. No menor sinal de insatisfação eles irão imediatamente tirar o governante do poder. Logo, na cabeça do governante, cada centavo gasto com a população é um centavo a menos gasto em conseguir lealdade.

Essa é a mensagem do livro Dictator's Handbook. Se você ainda não leu, esse livro precisa estar no topo da sua lista de livros a ler. É imperdível.

Dessa maneira, quando eu digo que Kim Jong-Un é um líder efetivo e brilhante, não estou dizendo que ele seja bom para a população, mas, no caráter de líder como sobrevivente, o cara é mestre.

Por que Kim é um líder brilhante

O ditador norte-coreano, assim como seu pai e avô, conseguir seguir exatamente o que o manual do ditador manda. E estão entre os que melhor fizeram isso.

A primeira grande estratégia usada pelo governo norte-coreano é o controle total da mídia. Dessa forma, não importa o quão ferrados estejam os norte-coreanos, a mídia local sempre falará que o mundo inteiro está pior. E, claro, como ninguém conhece a realidade externa, todos acabam acreditando.

Uma má qualidade de vida não é uma consequência de uma série de erros administrativos, mas uma decisão política muto bem estruturada. Liberdade de imprensa nunca foi uma prioridade na lista de demandas de qualquer população. Especialmente quando você mal consegue alimentar seus filhos.

Por outro lado, se Kim trouxesse uma vida melhor para a população, aí sim teria problemas. Sem ter que se preocupar em encher suas barrigas, as pessoas começam a ter tempo para questionar outras coisas.

Agora você pode estar se perguntando: e as ameaças de guerra nuclear? Exato, elas não são nada mais que isso: ameaças.

Qualquer um que realmente acredite em guerra é porque não parou para pensar no assunto por 5 minutos e não enxergou o absurdo que isso seria. As chances de uma guerra mundial acontecer são próximas de zero.

Por que então eles ameaçam os outros países?

Fazer coisas bizarras como matar seu parente com uma metralhadora anti-aérea ou lançar um míssil contra o Japão atraem mídia. E os portais de notícia têm todo interesse em divulgar uma possível guerra, como se de fato fosse acontecer. Afinal, convenhamos, isso vende jornal.

Com as pessoas ao redor do mundo assustadas, Kim consegue negociar melhor ajuda externa, ou impedir interferências de outros países, em troca de "não atacar ninguém". É óbvio que políticos como o Trump sabem que não tem risco nenhum de ataque, mas eles também decidem entrar no jogo. Lutar contra inimigos do seu próprio país sempre foi uma forma efetiva de conquistar votos. Ou seja, é um win-win.

E por que não fazer sanções como fizeram em Cuba? Isso poderia eventualmente causar uma revolta da população coreana, mas a China rapidamente impediria qualquer ação nesse sentido. Uma população mais miserável inevitavelmente traria milhões de imigrantes sem qualificação para as fronteiras chinesas, o que seria um desastre.

A realidade é que quanto mais maluco e instável Kim parecer, menos os demais países irão querer se meter com ele. E essa é a chave que ele usa para vencer países muito mais fortes: a aleatoriedade.

Assim como no xadrez, bons oponentes sempre serão capazes de prever seus movimentos vários passos à frente. A não ser que você realize ações inesperadas com constância. E isso o líder norte-coreano sabe fazer perfeitamente.

Sempre que ouvir histórias sobre como a Coreia do Norte é um país miserável ou que eles estão testando mísseis nucleares, pode ter certeza, não são a toa. Seu país pode parecer um total fracasso, mas o reinado de Kim Jong-Un é tudo menos isso.

Por um momento, imagine o que foi viver há 500 anos. Época rústica, sem muitas das coisas que estamos acostumados hoje - vaso sanitário com sifão, por exemplo, é do século 18 - mas não menos desafiadora quando comparada com a nossa, guardadas devidas proporções.
A civilização ocidental, concentrada na Europa, tinha conhecimento limitado sobre fronteiras e coordenadas do planeta. O mapa europeu indicava um pedaço da Ásia, outro da África mas sofria com grandes erros de escala. Além disso, a circunferência da terra era extensão desconhecida ( já se sabia que o planeta era redondo ). Então, em menos de 100 anos, as dimensões do mundo conhecido foram multiplicadas. Mapas foram atualizados, escalas foram melhoradas, contornos foram definidos. O tamanho do mundo, para o europeu medieval, aumentou 3 vezes.

Lembrando tempos passados, sua empresa, provavelmente, começou menor do que é hoje, seja em número de funcionários, faturamento ou algum outro indicador. Enquanto alguns gostam de invocar “tradição desde” como estratégia de marketing para falar que a empresa foi fundada há 30 anos, os mais pragmáticos lembram que 10, 20 ou 30 anos de história são uma vírgula no tempo, texto maior da existência do homem e suas obras. Pois não importa quanto tempo decorreu desde a fundação do seu negócio até hoje: as dimensões mudaram, multiplicadas por algum número real. 2, 3, 7 vezes - interessa perceber que o tamanho mudou.

Há 500 anos, todos os mapas tiveram que ser jogados fora. Tudo o que se sabia sobre geografia do planeta, num estalo de dedos, precisava ser atualizado. O comércio global se expandia para todas as direções em altas velocidades e economias nacionais dependiam de coordenadas atualizadas. Esforço, diligência e informações trouxeram resultados e na alvorada do século 17 os mapas já reproduziam uma Terra mais completa. A cortina da idade medieval se erguia e o mundo era visto com maior claridade e definição.

Enquanto isso, naquela empresa que começou pequena e multiplicou seu tamanho por número real, os desafios não tem o peso e desdobramentos que mobilizaram nações há 500 anos. Não obstante, se assemelham com a dramática mudança de coordenadas e dimensões. Decisões, agora, trazem um componente maior de complexidade: abrir ou não uma filial? construir ou não um CD? reformar ou não o salão de vendas? Decisões complexas precisam de novas coordenadas.

Até certo ponto, consegue-se tocar o negócio sem DRE e fluxo de caixa, apoiado na intuição e experiência bruta. Mas assim como o homem do século 16, para estender seus horizontes, precisou jogar fora seus mapas rudimentares, esse momento chega para sua empresa também. É inexorável. Coordenadas precisam ser atualizadas para suportar decisões complexas. Enquanto bússolas sofisticadas ajudaram capitães cruzarem oceanos e produzir mapas novos, variação EBITDA, liquidez corrente e outras informações avançadas de gestão cumprem idêntica função para este empresário que vê seu negócio multiplicado por n e precisa navegar com segurança em modernas águas agitadas.

Portanto, levantar a cortina de uma administração medieval, atualizar coordenadas e produzir mapas novos - esse momento, inevitável, chega para qualquer empresa. Você precisa estar preparado.

Você pode nunca ter pensado nisso. Mas as palavras que usamos todos os dias moldam nossas realidades. Apenas o uso de uma palavra correta ou incorreta pode significar conquistar algo que você deseja ou não. E como você pode se beneficiar disso?

Nossas escolhas de palavras causam uma impressão poderosa sobre as pessoas com quem conversamos. Seja na fila do banco, na entrevista de emprego ou durante uma reunião formal com seus clientes.

No livro “Como conversar com qualquer pessoa”, Leil Lowndes mostra que diferentes situações e diferentes pessoas exigem diferentes vocabulários e tonalidades. Se ainda não leu, recomendo fortemente.

Entretanto, existem algumas palavras que mantêm o poder, independentemente do contexto. Então, da próxima vez que você realmente quiser algo - seja um aumento de salário, uma vaga de emprego ou até um favor pessoal - aqui estão 10 palavras que podem ajudá-lo:

Porque

Para mim, essa é a mais importante de todas, pois mostra uma justificativa para suas ações. Essa palavra explica as motivações para cada elemento do seu pedido. No livro “As Armas da Persuasão”, Robert Cialdini prova que a combinação "pedido + motivo" aumenta significativamente a probabilidade de seu pedido ser atendido. Basta pensar: você faria algo para uma pessoa (especialmente se você não a conhecer) se ela não desse uma mínima razão que justifique o que ela queira? Pois é, assim como você não faz, os outros também não farão por você. Portanto, acrescente justificativas no que você fala. Tenha um propósito para tudo que você deseja. Você verá que isso não só aumentará sua chance de sucesso, como também te fará refletir na real necessidade de muitas coisas inúteis que você realiza.

Farei

É a palavra que usamos para mudar para o tempo futuro, e é poderosa porque implica o que acontece depois que a conversa acabou com um certo grau de certeza. Declarar que você "fará" algo como uma ação direta demonstra confiança e proporciona uma visão clara, além de mitigar a possibilidade de falta de comunicação. Você mostrará que não é uma pessoa de palavras, mas de ações.

Você

Ao fazer um pedido, a tendência é que as pessoas falam somente sobre si mesmas. Elas vão dizer coisas como "eu quero isso porque preciso disso", explicando suas motivações pessoais ou os motivos lógicos por que elas querem. Em vez disso, que tal tenta enquadrar a conversa na perspectiva da pessoa com quem você está falando. Como que seu pedido irá agregar valor ou afetar o outro interlocutor? Uma técnica simples aqui é mostrar para a pessoa o que ela pode ganhar fazendo o que você quer. Por exemplo, "Eu acho que você verá um aumento nas vendas se implementar isso". Esse tipo de frase coloca o ouvinte no centro da conversa, o que gera um compromisso mais positivo.

Nós

Essa é uma extensão da palavra acima. Assim como "você", "nós" tira parte do foco do seu interesse próprio e passa a gerar um engajamento coletivo. Inicialmente, isso faz com que você pareça menos centrado no ego e seja mais acolhedor. Além disso, também implica que vocês dois são uma única unidade e que qualquer benefício positivo para você será um benefício positivo para o outro.

Juntos

"Juntos" funciona da mesma forma que "nós". Ela implica um grau de familiaridade e cooperação, fornecendo um tipo de lubrificante conversacional para tornar seus pedidos mais fáceis de engolir. Lembre-se sempre que o ser humano é um animal sociável. Eles sempre vão estar mais aptos a realizarem coisas para os que forem de seus “grupos” ou “comunidades”. É sempre bom adotar atitudes que façam seu pedido (e seus eventuais resultados) parecer uma oportunidade mútua.

Se

Essa palavra tem um enorme poder porque gera condições. É tão útil que praticamente todos os códigos de programação de computador usam condições “se... então”. No nível pessoal, ela lhe dá a oportunidade de quebrar uma situação até seus termos mais básicos ao explorar resultados hipotéticos. Explorando bem isso, você pode mostrar o que acontecerá caso a pessoa não faça o que você deseja. Por exemplo: "Se escolhermos a opção A, teremos aumentos de receita e produtividade, porém se escolhermos a opção B, tudo permanecerá o mesmo".

Poderia

Se você começar uma conversa de forma negativa, inseguro se algo é mesmo possível, pode ter certeza que a probabilidade das coisas não darem certo são altíssimas. Usar a palavra "pode" implica um mínimo de confiança, ao contrário de "não irá" ou "nunca". Exemplo: “Caso você faça isso, poderia gerar um bom benefício para a empresa”

Esse tipo de palavra mantém a conversa positiva, além de permitir que você explore seus resultados futuros hipotéticos. Nesse caso, é especialmente útil quando o interlocutor tem um contra-argumento. Por exemplo, "eu poderia realizar o trabalho extra, mas seria melhor se houvesse mais flexibilidade no prazo".

Mantenha rotas de fugas abertas para, caso você não consiga obter os resultados desejados com suas ações, você tenha uma justificativa por não cumprir sua promessa.

Fato

Sempre que você mostrar algum fato que justifique o que quer, você estará aumentando significativamente suas chances de persuasão. Tenha isso em mente: contra fatos não existem argumentos. Há apenas uma ressalva: os fatos precisam ser sempre reais, embasados em evidências empíricas ou pesquisas de algum tipo. A partir do momento que sua palavra não é mais confiável, desista de conseguir as coisas. Usar mais fatos em seu diálogo irá ajudá-lo a fortalecer sua posição e garantir um ângulo mais persuasivo para sua discussão.

Abrir

Nem sempre você concordará com tudo o que a outra pessoa lhe disser. Portanto você não realizará todas as solicitações feitas. Mas fechar pedidos com um "não" ou um "nunca" é negativo e contraproducente. Em vez disso, indique que você está "aberto" à ideia, mas uma negociação adicional será necessária antes de você concordar plenamente.

Obrigado

Agradecer é tão simples e não custa nada. Por que não usar mais o “obrigado”? Comece agora mesmo! Um simples agradecimento é uma expressão imediata, e se você começar uma conversa com isso, estará indo por um bom caminho. Você mostrará que realmente se importa com o tempo dispensado pela outra pessoa, o que a tornará mais propensa e interessada em ajudá-lo. Um simples "obrigado pelo seu tempo" no início ou final de uma reunião é perfeito estabelecer esse tom positivo. E lembre-se: se alguém te conceder uma gentileza e você não agradecer, suas chances dessa mesma pessoa te ajudar no futuro reduzem drasticamente.


Essas dez palavras não são mágicas, nem controlam as ações dos ouvintes. Mas usadas no contexto apropriado, elas podem ajudá-lo a abrir portas para mais negociações e maior sucesso no que deseja. Você se mostrará aberto, inteligente e persuasivo, o que significa que terá uma vantagem enorme quando fizer seu pedido.

Quanto dinheiro você quer deixar para seus filhos?

Há tempos essa pergunta fica martelando na minha cabeça (já conto o porquê) e acho que já cheguei a uma conclusão: ZERO.

Acompanhei uma discussão sobre esforço vs. recompensa, em que uma das pessoas dizia que não era suficientemente remunerada em troca do sacrifício exigido pela empresa. A recompensa justa por tamanho esforço e dedicação seria, no seu modo de entender, sociedade na companhia. Essa seria, também, a forma de deixar a seu filho algum patrimônio (mais tarde ele diria que, aos 40 anos, não tinha perspectiva de garantir o futuro do seu herdeiro).

Antes de prosseguir, uma breve pausa para listar as coisas que não vou discutir aqui: se a pessoa realmente está se dedicando mais do que o habitual; se realmente a pessoa merece ganhar mais pelo esforço extra; e se esse extra é apenas quantidade e não qualidade.

Não está em jogo, tampouco, o fato de a firma não ser responsável por sua inabilidade em gerenciar suas finanças pessoais, de modo a ter uma poupança ou algo que o valha – seja para o filho ou para sua própria sobrevivência num inverno mais rigoroso. Isso não é obrigação da empresa (qualquer que seja) e não serve, portanto, como argumento aceitável. Considero, inclusive, de extremo mau gosto falar de filhos nesse contexto.

Para mim isso serve apenas como pano de fundo para esse post: por que precisamos deixar alguma coisa para nossos filhos?

Antes que você fique escandalizada ou grite que eu só digo isso porque não tenho filhos, permita-me a chance de expôr a natureza do meu pensamento: 99,99% das pessoas quando falam em herança referem-se a patrimônio.

Jamais ouvi alguém dizer que seu legado será um extremo capricho e uma dedicação exclusiva na formação dos filhos. Nunca escutei que um pai investiria todo o seu dinheiro, até o último centavo, na educação de suas crianças. Quando o assunto é passar algo às gerações seguintes, só uma coisa importa: dinheiro.

Todo mundo adora dizer que o importante não é dar o peixe a quem precisa, mas ensiná-lo a pescar. Se isso se aplica a um estranho, por que não serve, então, para a pessoa que você mais ama nesse mundo? Por que dar-lhe uma fazenda de peixes?

Você não precisa deixar um milhão de dólares para seu filho. Todo o seu empenho deve ser para ensiná-lo a ganhar dez milhões de dólares. E que ele ensine o filho dele a fazer cem milhões. Invista toda a sua fortuna, todas as suas economias, todo o seu tempo na inteligência do seu filho, na sua perspicácia, na sabedoria e principalmente na formação de uma pessoa que saiba andar pelas próprias pernas.

Porque se você leu ao menos o texto que fala das habilidades sociais segundo Gladwell, vai lembrar que ser a pessoa mais inteligente do mundo não resolve tudo.

Perseguir uma herança milionária representa assumir seu fracasso como pai ou mãe. Significa admitir que você criou uma pessoa que não conseguirá ser alguém na vida. Que sua criança vai se transformar num adulto incapaz de se manter. Um adulto criado num ambiente onde o princípio moral reinante é a acumulação de riqueza.

Você corre o risco de criar uma pessoa que não saberá o que fazer com uma herança, qualquer que seja sua ordem de grandeza. Vai torrar o dinheiro recebido e ainda vai dizer que era pouco.

O que fazer? Tenha um mega seguro de vida para o caso de você não conseguir completar seus planos. Mas se você conseguir completá-lo, seu filho não terá com o que se preocupar.

Ensine-o a raciocinar além, a questionar, a buscar outras respostas. Mostre-lhe como fazer isso de forma respeitosa, sem desconfiar, menosprezar nem humilhar. Deixe-o apresentar suas ideias, enriqueça suas propostas, fortaleça seus argumentos. Dê-lhe a lógica, ofereça-lhe a retórica, treine-lhe a dialética. Crie um potencial milionário, em vez de um herdeiro.

Antes que alguém se dê ao trabalho de me fazer confessar, adianto: Sim, pode ser que eu mude completamente de ideia no dia que um rodolfinho ou uma marianinha chorar pela primeira vez. Ou não. Posso ter mais certeza ainda.